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===== CALIMÉRIO SOARES. O órgão “Cavaillé-Coll” da Igreja do Senhor do Bom Jesus do Brás, São Paulo =====
refnote-id : a
>**Os órgãos ‘Cavaillé-Coll’ das Igrejas do Senhor do Bom Jesus do Brás e São José do Ipiranga na cidade de São Paulo e da Igreja da Ordem Terceira do Carmo -- Salvador -- Bahia -- Brasil** [([(''Calimério Soares''. //Os órgãos ‘Cavaillé-Coll’ das Igrejas do Senhor do Bom Jesus do Brás e São José do Ipiranga na cidade de São Paulo e da Igreja da Ordem Terceira do Carmo (Salvador – Bahia)//. Revista Goiana de Artes, jan./dez. 1989. Disponível em nossa seção de [[:textos|textos]].)]
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>(tab)(tab)(tab)(tab)Calimério Soares [(textocalimerio:>CALIMERIO SOARES é compositor, cravista, organista e professor adjunto da UFU. Doutor em Música pela Universidade de Leeds, Inglaterra. É membro da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea, da Associação Aristide Cavaillé-Coll de Paris e membro-fundador da Associação Brasileira de Organistas.)]
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>**1.1. Histórico**
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>De acordo com um //“Contrato de Compra e Venda com reserva de Domínio”//, passado no Cartório de Registro de Títulos e Documentos, lê-se: //“UM ORGAM marca “A. CAVAILLÉ COLL” -- PARIS movido a electrecidade e a manoal, tendo 500 tubos (vozes) mais ou menos de estanho virgem e madeira, 8 registros, pedalheira, teclado com 4/8 e em caixa de carvalho tudo em perfeito estado de conservação posto na Igreja do Braz”//.
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>Mais abaixo, o preço: //“15.000$000 (QUINZE CONTOS DE RÉIS)”//. O documento encontra-se sem data e está assinado apenas pelo Vigário do Brás. Pela data que se lê nas //“estampilhas federais (1934-1936)”//, supomos ter sido o órgão adquirido entre os anos de 1935/38, aproximadamente.
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>É interessante notar a singularidade deste instrumento. Possui apenas um teclado manual de 54 teclas e pedaleira de 20 teclas, portanto, com uma oitava e meia de extensão. O sistema de tração deveria ter sido mecânico, dadas as peculiaridades específicas da consola para tal finalidade. De acordo com informações existentes no //“Catálogo dos Órgãos no Brasil”// (elaborado pela organista Dorotéa Machado Kerr [(textocalimerio:>KERR, Dorotéa Machado. //Possíveis Causas do Declínio do Órgão no Brasil//. Rio de Janeiro, Escola de Música da UFRJ, 1985. P. 405.)] como parte de sua tese de Mestrado), o sistema de tração foi transformado em pneumático por [[construtores:Nicolau Lorusso]], por volta de 1950. A consola, pedaleira e banco, realmente, parecem originais. O móvel do órgão também parece original, inclusive, deixando-se perceber que ali poderia ter havido uma “caixa expressiva”, anteriormente àquela reforma. Seria, portanto, um instrumento maior, com dois manuais e pedaleira.
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>O documento de compra e venda carece de dados, principalmente, a respeito de quem foi comprado instrumento!
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>Consultando um recente documento proveniente de Paris e publicado na Alemanha por Gilbert Huybens [(textocalimerio:>HUYBENS, Gilbert. //Liste des travaux exécutés par Aristide Cavaillé-Coll//. Lauffen, ISO Information, 1985. P. 52-53.)], parece-nos que o órgão pedido à firma Cavaillé-Coll em 12/07/1875, com um manual e 6 1/2 registros, poderia ser este instrumento instalado atualmente na Paróquia do Brás.
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>O instrumento sofreu modificações na reforma de 1950, sendo que os puxadores de registro foram substituídos. Alguns registros também foram alterados.
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>**1.2. Fachada**
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>Constituída por uma grande moldura apresentando cinco //“plate faces”//, possui duas laterais com 11 tubos cada, uma central com 9 tubos em estilo ogival, ladeada por duas menores com 4 tubos cada.
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>Nas laterais, as bocas dos tubos perfilam-se horizontalmente. Nas central e menores que a ladeiam, as bocas dos tubos ascendem em forma semicircular.
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>No alto, ao centro da fachada, encontra-se uma cruz ladeada por 6 flechas. O frontão é levemente entalhado em estilo neogótico.
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>Comparada aos demais instrumentos de fatura Cavaillé-Coll que para cá vieram, a fachada apresenta grande simplicidade arquitetônica.
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>**1.3. Consola**
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>Com um único teclado manual de 54 teclas, na extensão de Dó a Fá e pedaleira de 20 teclas, na extensão de Dó a Sol (uma oitava e meia), esta pequena consola é bastante singular. As plaquetas dos registros perfilam-se horizontalmente acima do teclado.
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>Os registros são os seguintes: Subbass 16’, Bourdon 8’, Pedal/Manual. Principal 8’, Octave 4’, Flûte 8’, Prestant 4’, Voix Celeste 8’, Doublette 4’, Sub Octave, Super Octave, Trompette 8’, Tremblant.
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>**1.4. Recursos Sonoros**
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>(tab)a) Esquema geral de disposição:
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>(tab)b) Resumo:
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>(tab)(tab)Total de Registros -- 09
>(tab)(tab)Total de Registros de Fundo -- 08
>(tab)(tab)Total de registros de lingüetas -- 01
>(tab)(tab)Registro de 16’ -- 01
>(tab)(tab)Registro de 8’ -- 05
>(tab)(tab)Registro de 4’ -- 01
>(tab)(tab)Registros de 2’ -- 02
>
>(tab)c) Observações:
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>O instrumento presta-se mais ao acompanhamento dos cânticos litúrgicos, podendo-se fazer alguns solos, tendo em vista as limitações da extensão do teclado manual e da pedaleira.
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>Há alguns registros alterados, como, por exemplo, a Octave 4’ soa 2’ (na verdade um Flautim 2’) e a Doublette 4’ soa corretamente 2’, apenas com indicação incorreta na plaqueta.
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>**1.5. Estado geral do instrumento**
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>O estado geral deste pequeno, porém retalhado instrumento é bastante ruim. Não obstante a reforma feita em 1984 por [[construtores:Lucas Bertucca Filho]], várias conexões encontram-se desativadas, havendo muitos tubos emudecidos e mesmo timbrando mal e a desafinação é total.
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>Se houvesse assistência periódica de um técnico em organaria, este instrumento poderia soar razoavelmente bem ainda por muitos e muitos anos. Resgatá-lo aos moldes originais seria impossível, pois muito poucas peças originais existem.
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>(___)
>~~REFNOTES textocalimerio ~~