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===== CALIMÉRIO SOARES. O órgão de Coro “Cavaillé-Coll” da Paróquia São José do Ipiranga, São Paulo =====
refnote-id: a
>**O órgão de Coro “Cavaillé-Coll” da Paróquia São José do Ipiranga, São Paulo** [(''Calimério Soares''. //Os órgãos ‘Cavaillé-Coll’ das Igrejas do Senhor do Bom Jesus do Brás e São José do Ipiranga na cidade de São Paulo e da Igreja da Ordem Terceira do Carmo (Salvador – Bahia)//. Revista Goiana de Artes, jan./dez. 1989. Disponível em nossa seção de [[:textos|textos]].)]
>
>//Por Calimerio Soares// [(textocalimerio:>Calimério Soares é compositor, cravista, organista e professor adjunto da UFU. Doutor em Música pela Universidade de Leeds, Inglaterra. É membro da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea, da Associação Aristide Cavaillé-Coll de Paris e membro-fundador da Associação Brasileira de Organistas.)]
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>**1.1. Histórico**
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>Em sua Tese de Mestrado em Música, a organista Dorotéa Machado Kerr [(textocalimerio:>KERR, Dorotéa Machado. //Possíveis Causas do Declínio do Órgão no Brasil//. Rio de Janeiro, Escola de Música da UFRJ, 1985. p. 80.)] faz referências importantíssimas a respeito deste instrumento. Segundo seu trabalho, este órgão fora instalado na antiga Catedral de São Paulo, supostamente em 1852.
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>Entretanto, ao compararmos cuidadosamente a placa da marca do órgão com as demais existentes cronologicamente, num estudo feito pelo organista e musicólogo Kurt Lueders [(textocalimerio:>LUEDERS, Kurt. //Revue la flute harmonique//. Paris, 23/24:19--34, 1982. Association A. Cavaillé-Coll.)] intitulado //“A propósito da placa Cavaillé-Coll”//, observamos que em virtude de uma mudança de razão social ocorrida em 1859, a firma passou de //“A. Cavaillé-Coll fils à Paris”// para //“A. Cavaillé-Coll & Cie. à Paris”//. Em vista disto, chegamos à conclusão que este instrumento fora construído entre 1859 e 1862.
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>No //“Catálogo de Órgãos no Brasil”// [(textocalimerio:>KERR, //op. cit.//, p. 474.)] (anexo à sua Tese de Mestrado), há uma referência sobre a existência de dois órgãos naquela antiga Sé Catedral, de acordo com um texto do Maestro Furio Franceschini:
>
>>//Lembremos que também na velha Catedral de São Paulo, hoje demolida, havia dois órgãos: um sobre o portal principal da igreja (atualmente instalado na Matriz de São José do Ipiranga); outro menor, cuja caixa externa era de cor azul claro, órgão coral colocado numa tribuna, a uma certa altura, na parede do lado da Epístola, e próximo ao altar-mor.//
>No termo de doação do instrumento para a Catedral de São Paulo, aparece o nome do Cônego Joaquim do Monte Carmelo, para o qual um órgão havia sido fabricado, segundo consta da //“Lista”// publicada por Charles Mutin, em 1923. Transcrevemos o que se segue:
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>>//Fabricado por Joseph Étienne Napoléon Lebreton e Hyppolite// (ilegível)//, fabricante de piano e órgãos com casa no Rio de Janeiro e estimáveis pessoas; sendo presid. desta província ou //(ilegível)// lista e conselheiro Dr. Padre Vicente Pies da Motta e Bispo diocesano virtuoso senhor Dom Sebastião Pinto do Rego e o seu Vigário Geral Cônego Joaquim de Manoel Gonçalves de Andrade que exercião tudo facilitarão ao dito Dr. Cônego Joaquim do Monte Carmelo na prestação de mais este relevante serviço à Sé Catedral de São Paulo. E aqui fica como monumento eloqüente de sua piedade e zelo religioso para estímulo e fervor do quantos, amando a virtude, quiserem merecer a estima dos homens e as bênçãos do céo.// Data ilegível [(textocalimerio:>KERR, //op. cit.//, p. 80--81.)]
>Uma complementação do termo de doação chegou-nos às mãos, graças às anotações feitas há muito tempo pelo organista José Luis Prudente de Aquino e que assim transcrevemos:
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>>//Este órgão mecânico foi construído em Paris, na oficina de Cavaillé-Coll, fabricante e mais célebre pelos grande melhoramentos que introduziu no mecanismo deste instrumento: encomendado pelo Dr. Cônego Joaquim do Monte Carmelo em sua viagem à Europa no ano de 1863, e aqui colocado por Joseph Etienne Napoleón Lebreton e Hyppolite Elis Portebois, franceses, fabricantes de pianos e órgãos , com casa no Rio de Janeiro, muito hábeis artistas e estimáveis pessoas: sendo Presidente desta província o ilustre Paulista e Conselheiro Doutor Pe. Vicente Pires da Mota e Bispo Diocesiano o virtuoso Senhor Dom Sebastião Pinto do Rego e seu digno Vigário Geral o Dr. Cônego Joaquim Manuel Gonçalves de Andrade, aos quais, com a autoridade que exerciam, tudo facilitaram ao dito Dr. Cônego Joaquim do Monte Carmelo, etc…//
>Na //“lista”// recentemente publicada por Huybens [(textocalimerio:>HUYBENS, Gilbert. //Liste des travaux exécutés par Aristide Cavaillé-Coll//. Lauffen: ISO information, 1985, p. 52--53.)], encontra-se a data do pedido feito pelo Dr. Joaquim do Monte Carmelo em 08 de novembro de 1863, ao preço de 10.000 francos.
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>A viagem deste ilustre cônego à Europa, em 1863, ajuda-nos sobremaneira a melhor situar a data ou época de instalação do instrumento na Sé Catedral de São Paulo que, provavelmente ocorreu entre os anos de 1864 e 1866.
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>**1.2. Fachada**
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>Constituída por dois torretes laterais, com três grandes tubos cada: um menor e central contendo três tubos médios, é ladeado por duas //“plate faces”// contendo sete tubos cada. O frontão é delicadamente trabalhado, adornado com pequenas guirlandas de flores. O móvel é bastante simples, sem grandes rebuscamentos arquitetônicos. Do lado direito do corpo do órgão, ao canto, encontra-se a tubulação adaptada do Subbaixo 16’, que nada tem a ver com a estética original do instrumento.
>
>**1.3. Consola**
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>De tração mecânica, a consola possui dois teclados manuais, com 54 teclas cada, na extensão de Dó a Fá e pedaleira plana com 27 teclas, na extensão de Dó a Ré.
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>Os puxadores de registro ladeiam a marca //“A. Cavaillé-Coll et Cie. a Paris”//, levemente desgastada pelo tempo, perfilando-se horizontalmente.
>
>Os registros estão assim dispostos:
>
I Manual:
lado esquerdo: Montre 8’, Octave 4’
lado direito: Bourdon 8’, Flute Harmonique 8’
II Manual:
lado esquerdo: Viole de Gambe 8’, Voix Celeste 8’, Trompette 8’
lado direito: Clairon-Hautbois 4’, Doublette 2’, Flûte Octaviante 4’
>Adaptada no canto extremo direito encontra-se a chave que aciona o jogo do Subbass 16’, adaptada à pedaleira por meio de tração elétrica.
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>As //“Tirasses”// são: I/Pedal, II/Pedal, Acouplement II/I, Tremblant e pedal que aciona a báscula da caixa expressiva.
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>**1.4. Recursos Sonoros**
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>(tab)a) Esquema geral de disposição:
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| |
Jogos de Fundo |
Mutações |
Lingüetas |
|
I MANUAL (G.O.)
|
Montre 8′ Bourdon 8′ Octave 4′ Flute Harmonique 8′
|
|
|
II MANUAL (Récit.) |
Viole de Gambe 8′ Voix Celeste 8′ Flute Octaviante 4′ Doublette 2′
|
|
Trompette 8′ Clairon-Hautbois 4′
|
| PEDAL |
Subbass 16′ |
|
|
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>(tab)b) Resumo:
>
>(tab)(tab)Total de Registros – 11
>(tab)(tab)Total de Registros de Fundo – 09
>(tab)(tab)Total de registros de lingüetas – 02
>(tab)(tab)Registro de 16’ – 01
>(tab)(tab)Registro de 8’ – 06
>(tab)(tab)Registro de 4’ – 03
>(tab)(tab)Registros de 2’ – 01
>
>(tab)c) Observações
>
>Este belo //“Orgue de Choeur”// presta-se para – além de suas funções específicas – a execução de parte do repertório organístico, evidentemente, observando-se as suas muitas limitações. Dependendo da habilidade do executante, até peças de maior porte podem ser tocadas.
>
>A beleza dos jogos de fundo é enriquecida pelo brilhantismo dos jogos de lingüeta, potentes e vibrantes. A //“Paleta Sonora”// de Cavaillé-Coll pode ser notada e apreciada neste pequeno instrumento, que guarda nitidamente a marca de seu construtor.
>
>A disposição dos registros deste órgão lembra muito aquela do //“Orgue de Salon”//, construído em 1892 para o organista Charles Marie Widor [(textocalimerio:>CLERC, Maurice. //L’orgue et E. Cavaillé-Coll de Charles Marie Widor et sa récente installation à Selongey//, p. 11.)] , atualmente instalado na Igreja de Selongey.
>
>**1.5. Estado geral do instrumento**
>
>Foi com surpresa que encontramos o instrumento ainda de posse de uns 98% de sua originalidade. Este pequeno órgão é uma jóia preciosíssima, que deveria ser totalmente restaurada por um organeiro sério e competente, a fim de preservá-lo em sua originalidade.
>
>O instrumento ainda soa bem, apesar de um pouco desafinado. O jogo de Subbaixo 16’ adaptado à pedaleira não funciona bem. Sugeriríamos a retirada deste jogo ‘não original’, a fim de preservar o instrumento tal qual foi concebido por Cavaillé-Coll, num futuro trabalho de restauração deste órgão.
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>(___)
>~~REFNOTES textocalimerio ~~