Capela Beato Anchieta, São Paulo (SP)

O órgão da Capela Beato Anchieta, localizada no Páteo do Colégio, na região central de São Paulo (SP), foi inaugurado em maio 2002, depois já ter passado por outras duas igrejas.

O instrumento, originalmente fabricado pela Tamburini com 1 manual e pedaleira, foi instalado em 1950 na Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, São Paulo (SP), onde funcionava em conjunto (mas separado) ao grande órgão que lá ainda se encontra. Em 1978 foi vendido para a Igreja de N. Senhora Aparecida, em São Caetano do Sul (SP), ocasião em que foi ampliado por José Carlos Rigato, passando a contar com 2 manuais e pedaleira. Em 2001 foi adquirido pela Capela Beato Anchieta, passando por restauro pela Família Artesã Rigatto e Filhos.

Dados Gerais

  • Localização: Capela Beato Anchieta – Largo Páteo do Colégio, Centro, São Paulo (SP)
  • Construção: Tamburini, Itália, 1950 (1 manual e pedaleira, 652 tubos)
  • Reformas/restaurações:
  • Características (2002):
    • 2 manuais e pedaleira
    • 15 registros

Registros

instrumentos:capela-beato-anchieta-sp-1.jpg
 Fachada dos tubos (1)

O instrumento conta com os seguintes registros (2):

  • I Manual
    • Principal Largo 8’
    • Principal 8’
    • Bordão 8’
    • Dulciana 8’
    • Oitava 4’
    • Ripieno 5 filas
  • II Manual
    • Flauta 8’
    • Viola 8’
    • Flauta otav. 4’
    • Principal 2’
    • Cornet 2 filas
    • Tremolo
  • Pedal
    • Subbaixo 16’
    • Principal 8’
    • Bordão 8’
    • Baixo Coral 4’
  • Acopl.
    • I/I super
    • II/I
    • II/I super
    • II/I sub
    • II/II super
    • II/II sub
    • I/P
    • I/P super
    • II/P
  • Recursos
    • Pedal de crescendo
    • Pedal de expressão
    • Anulador de crescendo
    • 5 Comb. Fixas (p, mf, f, ff e T)
    • 2 Comb. Livres
    • Pedaletes: II/I, II/P, I/P, N, CL, T

Inauguração

A inauguração do órgão, ocorrida em 21 de maio de 2002, se deu com a cerimônia religiosa (“Ofício de Nossa Senhora”) e recital realizado por Ary Aguir Jr., então presidente da Associação Paulista de Organistas. No recital de inauguração foi interpretado (2):

J. S. Bach (1685-1750) Tocata e Fuga em Ré Menor, BWV 565
Coral sobre o ‘Magnificat’ – Minh’alma engrandece o Senhor, BWV 648
Johann Bernhard Bach (1676-1749) Chacona II (22 variações) *
C. Ph. Emmanuel Bach (1714-1788) Sonata IV (Allegro – Largo – Allegretto) *
Heitor Villa-Lobos (1887-1939) Cantilena da Bachiana Brasileira n. 5 (transcr. Camil van Hulse)
A. P. F. Boëly (1785-1858) Tocata
Théodore Dubois (1837-1924) Canto Pastoral
Grande Coro

                * primeiras audições no Brasil.

      Intérprete: Ary Aguiar Jr., organista M. Mús.

Natural de Santos – SP, diplomou-se pelo Conservatório Musical de Santos, onde obteve o 1º prêmio na Classe de Harmônio e Órgão do Maestro Ângelo Camin (Curso Superior). Prosseguiu seus estudos na Classe de Aperfeiçoamento da Profª. Drª. Annita Salles; obteve seu Mestrado em Órgão na Universidade Federal do Rio de Janeiro sob orientação da Profª. Drª. Gertrud Mersiovsky. Recebeu seu Diploma de Órgão e Certificados de Aperfeiçoamento e Contraponto no Conservatório de Música de Genebra, Suíça, nas classes dos Prof. François Delor e da Profª. Mme. J. Allanic, além de freqüentar por dois anos os cursos de Música Antiga ministrados pela cravista Profª. Christianne Jaccotet. Freqüentou diversos “Master Classes” com organistas renomados de países como Alemanha, Inglaterra, Holanda e Áustria. Foi Mestre Capela na Paróquia Universitária de Santa Cecília, em São Paulo, onde iniciou a série de concertos de órgão denominada “Saint Cecilia Series”, titular na Paróquia de La Sainte Trinité, em Genebra e Ministro de Música da Trinity United Methodist Church, em Albany, NY. Recebeu vários prêmios, destacando-se o de “Revelação” outorgado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Concertista internacional, apresentou-se inicialmente no Brasil, África do Sul e América do Sul e, posteriormente, nos Estados Unidos e Europa, tendo realizado a primeira audição no Brasil da integral das obras de Felix Menselssohn-Bartholdy para órgão e das sonatas de Guilmant também para órgão. Atualmente concentra suas atividades na formação de novos organistas, na Presidência da Associação Paulista de Organistas, além de suas apresentações como organista recitalista.

A inauguração do órgão do Páteo do Collégio teve o Apoio Cultural da Secretaria de Música e Artes Cênicas, da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura (MinC), realização do Páteo do Collégio, produção cultural APPART, montagem da Família Artesão Rigatto & Filhos, Patrocínio do Fundo Nacional de Cultura do MinC e apoio da Associação Paulista de Organistas (APO).

Textos

Histórico (2)

Fabricado na Itália em 1950 por Giovanni Tamburini, foi instalado inicialmente no coro lateral da Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, no Bom Retiro, São Paulo; funcionava em conjunto com o grande órgão colocado ao fundo da igreja e possuía sua própria console, com um teclado e pedaleira, contando 652 tubos sonoros.

Em 1975 foi desativado por um princípio de incêndio causado por infiltrações de água e pelo ataque de cupins e, devido a falta de recursos, o Pe. Gutenberg, então responsável pela Paróquia, decidiu pela venda do instrumento.

Em 1978 o Pe. Olavo de Barros, pároco da Igreja de N. Senhora Aparecida da Vila Barcelona, São Caetano do Sul, comprou o instrumento, que foi instalado nesta igreja e ampliado para dois manuais e pedaleira, com 1018 tubos, por José Carlos Rigatto.

Desde 1999 o Centro Cultural do Páteo do Collégio, juntamente com a comissão técnica da Associação Paulista de Organistas (APO), iniciaram um longo processo de busca de um órgão para a ampliação do patrimônio da igreja, além do desenvolvimento artístico e cultural na área da música para órgão.

A ocasião ideal ocorreu em 2001, quando a paróquia de São Caetano do Sul colocou o órgão à venda, por necessidades financeiras; o órgão foi então adquirido para o Páteo do Collégio, com verba do Fundo Nacional da Cultura do Ministério da Cultura (MinC).

Entre 2001 e 2002, o órgão foi desmontado, restaurado e instalado na Capela Beato Anchieta (Praça Páteo do Collégio, s/n, centro, São Paulo – SP) pela “Família Artesã Rigatto e Filhos“.

Tendo este sido um grande processo de restauração, a estrutura e o móvel do instrumento foram inteiramente refeitos em madeira de lei, deixando ainda espaço para futuras ampliações.

Todos os tubos de metal foram restaurados, retomando sua forma cilíndrica, suas janelas de afinação foram soldadas e reabertas, sendo ainda rebaixadas as bocas dos tubos para se obter um melhor resultado na regulagem do timbre e intensidade do som (harmonização) e a sua adequação ao ambiente.

Os someiros (peças onde são encaixados os tubos e funcionam todas as válvulas de comando de ar para os tubos) foram restaurados, tendo sido substituídas várias peças – válvulas, folezinhos e guarnições.

Os foles (peças que mantém o ar sob pressão para a alimentação dos tubos) foram restaurados, sendo substituídas suas dobradiças e cantoneiras de pele. Os canais de ar que interligam o ventilador com os foles e os mesmos com os someiros foram refeitos.

Todo este trabalho é que nos permite hoje podermos apreciar o instrumento em todo o seu esplendor e nos alegrar com a recuperação de um patrimônio que pertencia à Cidade de São Paulo e que, doravante, passa a servir a Capela do Beato Anchieta, dando um novo alento à arte organística em nossa cidade.

Saiba mais

Referências e notas

1. Pateo do Collegio, Schola Cantorum do Pateo do Collegio, acesso em jan. 2014.
2. Associação Paulista de Organistas, «Recital de Inauguração do Órgão da Capela Beato Anchieta», ano 24, concerto n. 959, 21.05.2002.

Registramos aqui nossos agradecimentos a Ary Aguiar Jr. e Newton Lima pelas informações e pela cessão dos materiais relativos ao órgão.

(em nosso projeto este órgão está na ETAPA 2)

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